quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Eleições 2014: Em Goiás, Marconi e Iris são os protagonistas

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A disputa pelo governo de Goiás em 2014 apresenta um cenário semelhante ao de 2010: a polarização entre Marconi Perillo (PSDB), que agora reúne 14 partidos em torno de seu nome, e Iris Rezende (PMDB), que conta com o respaldo de sete partidos.

Duas rodadas da pesquisa realizada pelo Instituto Serpes, de Goiânia, mostra um cenário indefinido sobre as eleições do ano que vem para governador: empate técnico entre Marconi e Iris.

Além de impor duas derrotas, nas urnas, a Iris Rezende, Marconi já impôs ao PMDB um insucesso eleitoral em 2012, quando, como candidato à reeleição, venceu Maguito Vilela. Depois, lançou, apoiou e contribuiu com a vitória de seu então vice-governador, Alcides Rodrigues (PP), que derrotou o mesmo peemedebista Maguito Vilela.

Vanderlan Cardoso (PSB), que chegou em terceiro lugar naquele pleito, lidera agora uma aliança denominada terceira via, ou seja, uma candidatura que se coloca como alternativa ao PSDB marconista e ao PMDB irista.

O DEM, dirigido em Goiás pelo deputado federal Ronaldo Caiado, também quer ser protagonista na sucessão estadual e poderá representar a quarta via da política goiana.

O cenário atual sobre a sucessão estadual de 2014 está longe de ser definitivo, pois, até as convenções partidárias, marcadas para junho, muitas alianças, vetos, recuos, avanços vão acontecer, em relação aos partidos e aos pretendentes à Casa Verde.

Base aliada fecha com Marconi

Diferente de 2010, agora Marconi ocupa o Palácio das Esmeraldas, cargo que exerce pela terceira vez. A chamada base aliada aposta no crescimento da candidatura de Marconi com a inauguração de obras nos municípios, principalmente a reconstrução, duplicação e pavimentação de rodovias, além da ampliação, por exemplo, dos programas como Bolsa Universitária, Bolsa Futuro, Cheque Moradia e Renda Cidadã.

Marconi Perillo deverá liderar, em 2014, o que se considera a primeira via, ou seja, uma coligação que reúne 14 partidos – PSDB, PP, PSD, PTB, PV, PTdoB, PPS, PHS, PSL, PMN, PR, PMB, PSDC e PTC.

O governador tucano ainda não admitiu concorrer à reeleição, ou seja, ao quarto mandato, sob a justificativa de que o foco é a gestão, a administração, a realização de obras Estado afora.

Os dirigentes dos 14 partidos da base aliada programam para o próximo dia 14, em Goiânia, megaevento, oportunidade em que, na presença de Marconi, o governador será lançado candidato à sucessão estadual. Marconi, cauteloso, não deverá admitir a candidatura, o que poderá ocorrer em janeiro ou fevereiro. “Marconi é candidatíssimo a governador. É uma decisão da base aliada, dos partidos, dos parlamentares, dos prefeitos e da sociedade”, diz, eufórico, Paulo de Jesus, presidente do PSDB goiano.

Há prefeitos que pertencem a partidos de oposição que irão subir no palanque do tucano Marconi em 2014. Muitos deles já compareceram aos encontros da base aliada e declaram que, caso o governador seja candidato à reeleição, estarão com o candidato do PSDB e de partidos aliados. São prefeitos do PMDB, PSB, DEM, PDT e de outras legendas do expecto oposicionista.

A base marconista aposta, na campanha do ano que vem, na divisão oposicionista, a exemplo do que vem ocorrendo desde 1998. O surgimento das candidaturas de Vanderlan Cardoso e de Ronaldo Caiado colabora com a “caminhada” dos tucanos em direção a mais uma vitória nas urnas, diz um influente deputado federal governista.

Iris, a opção do PMDB/PT

O ex-governador Iris Rezende lidera o segundo maior bloco político-eleitoral em Goiás, hoje representado por sete partidos. É considerado a segunda via, portanto. Iris já esteve por 16 anos no poder (1982/1998), sendo governador duas vezes, e considerando o mandato de Maguito Vilela.

Depois de duas derrotas para o grupo marconista, Iris vai tentar quebrar a hegemonia do PSDB, há 16 anos no poder em Goiás. Para isso, trabalha a unidade da oposição, que inclui o PMDB, PT, PDT, PRTB, PPL, PTN e PCdoB.

O PT de Antônio Gomide, Paulo Garcia e Rubens Otoni ensaia uma rebeldia, mas o Palácio do Planalto e a direção nacional se encarregam de “acalmar os ânimos” em Goiás, tudo por conta do projeto de reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Para os cardeais nacionais, 2014 não é o momento para se “desgarrar” do PMDB irista.

Iris Rezende, a exemplo de Marconi, não admite a candidatura a governador, mas age como se postulante fosse. Nos bastidores, conversa, faz reunião, articula e “controla” o diretório estadual do PMDB. Afinal, Michel Temer, vice-presidente da República, comandou a filiação do empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, ao PMDB, em maio último, com a recomendação de que trabalhasse para ser o candidato do partido ao governo estadual. É preciso, portanto, retirar qualquer “pedra” do caminho de mais uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas.

Iris Rezende não “engoliu” os reveses de 1998 e de 2010, nem mesmo essas duas derrotas o fizeram esmorecer. “Sou um animal político e vou morrer assim”, costuma dizer o líder peemedebista. Por isso, aposta no desgaste do grupo marconista, pelo tempo excessivo que detém o poder em Goiás.

Iris sonha em reunir, ainda na chamada segunda via, Vanderlan Cardoso (PSB) e Ronaldo Caiado (DEM), duas lideranças desgarradas do bloco oposicionista liderado pelo PMDB/PT. O ex-prefeito sabe que Vanderlan ainda guarda ressentimentos pela sua passagem pelo PMDB, em 2011/2012. E sabe também do veto do PT ao DEM caiadista.

Vanderlan, a “terceira via”

O empresário Vanderlan Cardoso, à época no PR, disputou a sucessão estadual, em 2010, pela terceira via, com o apoio do então governador Alcides Rodrigues (PP). Ficou em terceiro lugar. 

Desfiliou-se do PR em 2011, ingressou no PMDB e deixou o partido em 2013. Namorou o nanico PSC e desembarcou no PSB, com a saída do grupo do empresário Júnior Friboi.

A terceira via de Vanderlan, inicialmente, contava com o apoio do DEM de Ronaldo Caiado. Com o veto da ex-senadora Marina Silva a Caiado, por conta da campanha presidencial de Eduardo Campos, o DEM se afastou.

O ex-prefeito de Senador Canedo tenta construir a terceira via com apenas três partidos: PSB, o seu partido, PRP do publicitário e ex-secretário da Fazenda no governo Alcides, Jorcelino Braga, e o PSC de seu afilhado político, o ex-vereador anapolino Joaquim Jacinto de Lima.

O PDT, comandado em Goiás pela deputada federal Flávia Morais, desembarcou da terceira via e migrou para a coligação PMDB/PT, por conta da reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

Vanderlan Cardoso, portanto, reúne poucos partidos, tem tempo reduzido na propaganda gratuita de rádio e televisão e, para piorar, não há chapa expressiva de candidatos a deputado federal e estadual.

O empresário diz que vai em frente, procura aliados e abre conversações com outras legendas, como o Solidariedade do deputado federal Armando Vergílio, outro pré-candidato-solo a governador.

Caiado, um projeto solo

O deputado federal Ronaldo Caiado começou o ano animado, ao abrir conversações com o empresário Vanderlan Cardoso para formatar a chamada terceira via, tendo como objetivo um projeto de gestão pública alternativo aos dois grupos que dominaram a cena política nos últimos 32 anos em Goiás: o PSDB marconista e o PMDB irista.

O líder do DEM afastou-se da base do governador Marconi Perillo, principalmente depois que o vice-governador José Elitou deixou a legenda para ingressar no PP. Perdeu também o deputado estadual José Vitti, que migrou para o PSDB e prefeitos eleitos pelo DEM em 2012.

Mesmo diante das posições governistas do senador Wilder Morais e do deputado estadual Helio de Sousa, Caiado mantém-se arredio a qualquer tentativa de aproximação do DEM com o Palácio.

Caiado foi surpreendido com o veto da ex-senadora Marina Silva à sua participação no palanque presidencial de Eduardo Campos (PSB). Saiu da terceira via, de imediato, em Goiás.

Livre, Caiado zerou o processo de discussão sobre a sucessão estadual e passou a agir como franco atirador. Conversa por telefone e pessoalmente com o ex-prefeito Iris Rezende, com o deputado federal Armando Vergílio (SDD) e com partidos e parlamentares que o procuram.

O democrata adiou para junho qualquer definição sobre o papel que vai desempenhar nas eleições de 2014. Três alternativas estão diante de Caiado: disputar a sucessão ao Palácio do Planalto, o governo de Goiás ou uma vaga ao Senado.
Helton Lenine
Fonte: Diário da Manhã